A Feira de Troca Solidária de Ubatuba tem uma proposta de sustentabilidade – econômica, social e ambiental. Por isso questionamos a lógica capitalista de acumulação de bens e dinheiro que produz tantas desigualdades sociais, exaure os recursos naturais e degrada o meio ambiente.

A ideia da feira é questionar essa acumulação – dando mais valor às relações que construímos nas trocas e ao USO que fazemos das coisas materiais do que à mercadoria e ao dinheiro.

Um objeto pode ter um determinado valor econômico, mas se eu não o utilizo, não tem valor para mim – fica lá encostado num canto qualquer, acumulando pó. Posso trocar este objeto por algo que teria mais utilidade e portanto mais valor para mim. Dessa forma, o que interessa na troca é o valor do uso que as pessoas fazem das coisas materiais. Isso vai contra a lógica de acumulação: por que vou acumular coisas que não uso? Por status? Para me sentir mais seguro?

Quando existe o uso de dinheiro nas trocas, quem não tem esse recurso fica em desvantagem em relação a quem tem dinheiro. Mesmo que a pessoa que não possa comprar algo não tenha muitas coisas materiais para oferecer em troca, sempre poderá oferecer seus serviços e saberes.

As trocas sem dinheiro valorizam as relações, a conversa. A gente passa a conhecer melhor a pessoa com quem está trocando. Diferente do que acontece numa relação comercial, em que a pessoa simplesmente escolhe o produto e paga o valor que o vendedor pede.

Quando conversamos e conhecemos melhor as pessoas com quem trocamos, isso gera uma empatia e naturalmente buscamos uma troca que seja justa para ambas as partes, em que as duas pessoas saiam ganhando. Na lógica de acumulação de bens e dinheiro, acontece o contrário: sempre se procura levar vantagem, o que gera uma relação em que um perde e o outro ganha.

Além disso, as trocas de serviços que ocorrem na feira valorizam mais o capital humano, aquilo que temos de melhor para oferecer para o mundo. Algo que eu faço com minhas próprias mãos, com a minha criatividade e com o meu tempo tem mais valor do que um produto comprado numa loja – produzido por indústrias que pagam pouco para seus funcionários porque só visam o lucro e não valorizam as pessoas.

Portanto, não usar dinheiro implica uma lógica diferente e mais solidária do que a lógica do mercado, em que eu passo a valorizar mais as relações com as pessoas, o trabalho que elas fazem e o uso que eu faço das coisas, em vez de valorizar os produtos e o dinheiro – isso se chama Economia Solidária.

Esses são alguns dos motivos pelos quais optamos pelas trocas sem dinheiro na Feira de Troca Solidária de Ubatuba. Por isso, pedimos a gentileza de não propor vendas na Feira e no grupo da Feira no Facebook, e fazemos um convite para experimentar esse novo jeito de se relacionar com as pessoas e os bens materiais.

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